Semanas atrás acessei o site d´O Globo e tive uma boa surpresa. Depois de muitos anos com o mesmo layout, resolveram modificá-lo por completo. No primeiro dia que acessei achei tudo muito bacana. As cores, a leveza... até que com o passar dos dias comecei a perceber que essa leveza não era tão grande assim.
O primeiro obstáculo que encontrei foi "reacostumar" os olhos. Como diz Steve Krug, nós não lemos uma página, apenas passamos os olhos. E com os olhos acostumados com o site anterior, tudo era mais fácil. Sabia exatamente onde estava tudo. Mas com o site novo tudo tinha mudado de lugar.
O destaque estava do lado esquerdo ao invés do direito. As chamadas tinham mudado sua ordem de importância. Cadê a crítica de cinema do "bonequinho viu"? Acreditem, faz mais de duas semanas que procuro, procuro e não encontro. Será que mataram o bonequinho ou será que o site escondeu essa informação de mim?
Ao mesmo tempo que faltava uma informação, sobravam dezenas de outras penduradas na primeira página. Muita, mas muita informação.
Um mês depois, minha opinião sobre o site d'O Globo é completamente diferente. O novo site fez acender em mim uma discussão: o excesso de informações.
Será que realmente precisamos saber a previsão do tempo todos os dias? De que a protagonista da nova novela de Gilberto Braga será Alessandra Negrini? Saber que existe um programa como o "Fama" só para homens que é sucesso na China?
Vamos fazer uma brincadeira? Vejam só essa pequena análise visual que fiz com a primeira página d'O Globo.
Utilizo uma resolução de 1240 x 1024. Por isso, a primeira tela a ser visualizada da primeira página do site d'O Globo abrange todo esse espaço que está no print screen acima. Conte comigo, são 102 CHAMADAS DE INFORMAÇÃO, entre textos, ícones e imagens. Tudo isso para ser lido, só na primeira tela. Se eu rolar para baixo e ver a segunda tela, ih... vão ser mais 100.
Agora pergunto: é humanamente possível ler essas 102 chamadas todos os dias? Afinal, por se tratar de um site de notícias, pelo menos 60% dessas chamadas (ou mais) mudam diariamente. E então? Seria isso um excesso de informações? Uma tentativa mal sucedida d'O Globo mostrar que "tem muitas notícias", mais do que seus concorrentes?
Será mesmo que aquela chamadinha ali, da Alessandra Negrini, que está selecionado, merece ter um nível de destaque maior que a notícia que vem abaixo dela "Congresso faz último esforço concentrado antes das eleições"?
Acredito que em pouco tempo toda essa estrutura deverá ser repensada. Do que adianta tecnologia, um bonito layout, se a estrutura da informação não foi concebida se preocupando com o que poderia se tornar excesso ou irrelevante para o usuário?
É muita informação, de dar dor de cabeça. Ao entrar no site, me sinto num lugar barulhento, onde todos gritam, como nas antigas bolsas de valores, antes da informatização, onde os operadores berravam como malucos. É dessa forma que me sinto no site do O Globo.
E isso não é "privilégio" só d'O Globo Online. Essa semana instalei o Google Deskbar. O software promete uma infinidade de informações em seu desktop. Olha que interessante: notícias em tempo real, previsão do tempo, aniversariantes do dia puxados de sua lista do orkut, fotos que ele caça no seu computador e fica mostrando pra você... que bacana! Mas peraí. Pra quê eu preciso de tudo isso? Pra desviar minha atenção quando eu ver uma notícia interessante, deixando de trabalhar? Previsão do tempo? Pra quê se eu não sou agricultor, não vou à praia amanhã nem viajo todos os dias?
Estamos vendo nascer o excesso de informações que os estudiosos diziam tempo atrás que iríamos ter um dia. Acho que já estou sofrendo disso. Todo dia lançam uma nova preocupação em nossa vida: tenho que acessar o orkut, responder scraps, atualizar fotolog, ler as notícias da última hora, toda hora (atualizadas de hora em hora), ler fóruns, conversar no MSN, falar no Skype, agora até vídeo eu tenho que atualizar no You Tube. Tudo isso junto, feito ao mesmo tempo. Pra quê?
Cuidado, podemos ficar todos loucos.
Vamos tentar escapar disso!
Créditos: Bruno Avila